Painel 641 – Economista Harri Goulart Gervásio 11/12/2020

Todo o cuidado é pouco!

Sempre é bom voltar a este assunto porque o conhecimento a este respeito evita conclusões indevidas e muitas vezes tomadas de decisões erradas com consequências indesejadas. Sempre quando se fala em números é importante tomar cuidado, em primeiro lugar saber a sua procedência, fonte, e também observar o que esta sendo comparado e analisado, pois dependendo, o resultado pode ser diferente. Claro que a imprensa escolhe sempre o que interessa mais para turbinar a audiência. Nos casos dos que recebem as informações é necessário algum filtro para possibilitar um melhor entendimento do fato. Isto colocado, fica  agora a analise do crescimento do PIB no terceiro trimestre.

PIB cresce 7,7% no terceiro trimestre.

Segundo dados do IBGE o Produto Interno Bruto brasileiro cresceu 7,7% no terceiro trimestre de 2020 quando comparado com o segundo. Um verdadeiro recorde! Já de inicio é importante saber que no segundo trimestre o tombo foi de 9,6%. Comparar números positivos com negativos distorce a realidade. Imagine a informação única de que o Brasil cresceu 7,7% num trimestre. Isto é crescimento da China. De julho a setembro a indústria cresceu 14,8%  porem é bom destacar que ela esteve praticamente parada no período anterior e os serviços cresceram 6,3%. Foi um bom desempenho, mas incapaz de compensar as perdas motivadas pela pandemia. Os números registrados já eram esperados por grande parte dos economistas, porem ficou um pouco abaixo das projeções do mercado que indicavam mais de 10%. Embora os resultados favoráveis neste último trimestre, existem fortes sinais de arrefecimento no ritmo da atividade econômica para estes últimos meses do ano, resultados serão bastante diferentes dos últimos verificados. Pelo jeito a recuperação em V será interrompida! Com base nestes dados e da extinção do auxilio emergencial no ano que vem os prognósticos para 2021 são pouco promissores. O sinal será positivo, mas a redução do consumo das famílias, com a falta do auxilio,  deverá  prejudicar  e reduzir as expectativas.  Se acontecer um crescimento no ano que vem em torno de 3% já é lucro. Caso o auxílio emergencial seja mantido as projeções devem ser alteradas para números mais favoráveis.

PIB caiu -3,9% no terceiro trimestre.

Olhando a manchete anterior parece que o colunista cometeu algum erro, mas o que se pretende é chamar a atenção para o modo com que os dados devem ser analisados. Quando os dados do terceiro trimestre de 2020 são comparados com os de 2019, o resultado se altera. Nesta comparação o tombo chega a -3,9% sendo esta a terceira queda consecutiva quando a comparação é com dados do ano passado. Neste caso ao invés de crescimento a indústria sofreu uma queda de -0,9% e os serviços -4,8%. No acumulado do ano até o terceiro trimestre de 2020, o PIB caiu -5% em relação a igual período de 2019. Segundo analistas a luta para igualar o PIB de 2017 continua ferrenha. Números, números… eles estão aí, são os mesmos, mas  depende da maneira como são olhados e comparados. A economia do ultimo trimestre pode ter apresentado resultados positivos e negativos dependendo de como se analisa. Pelo momento presente, convivendo ainda na pandemia onde tudo fica cheio de incertezas, os dados de julho, agosto e setembro foram positivos, mas são inferiores aos verificados antes da crise sanitária e devem perder força ao longo do próximo período.

O assunto do momento.

O assunto do momento é a inflação. O ultimo índice divulgado foi o IPCA que apontou um crescimento de 0,89% em novembro, o maior resultado desde 2015. Nos últimos 12 meses acumulou 4,31% ultrapassando a meta central do governo que é de 4%. Isto é resultado da alta nos preços das commodities que tem cotação em dólar, soja, minério de ferro, açúcar, trigo, etc. Outro fator que influiu foi a pandemia, que paralisou tudo, interrompendo a produção, diminuindo a oferta. Com menos oferta maior preço. Também o auxilio emergencial do governo federal colocou mais dinheiro em circulação favorecendo o consumo. Maior consumo, alta nos preços. O governo pode fazer alguma coisa? Neste caso muito pouco uma vez que é desequilíbrio entre oferta e procura e a tendência é de que o ajuste aconteça naturalmente dentro de alguns meses. Como o governo é liberal e aposta nas leis de mercado, qualquer intervenção mais incisiva pode causar problemas maiores do que apenas o acompanhamento. O preço da carne está elevado e somente vai ser resolvido quando existir maior oferta ou menor demanda. O preço da batata está elevado e será resolvido apenas quando a produção aumentar. Isto é mercado.

Pense.

Aquele que a acredita que o dinheiro é tudo pode ser suspeito de fazer tudo por dinheiro.    

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