Painel 594- Economista Harri Gervásio- 11-10-2019

O cenário internacional segue piorando!

O tempo vai passando e o mundo continua convivendo momento de incerteza em relação ao futuro da economia. São claros e contínuos os sinais de desaceleração do crescimento global. A luta entre as duas maiores potencias mundiais, Estados Unidos e China, continua e a cada dia o mercado espera novos lances de um lado e resposta de outro. No lado americano apesar do momento politico agitado com pedido de impeachment do presidente Trump, os indicativos são de que será reeleito. Pesa a seu favor os dados e projeções positivos da economia com um crescimento do PIB no segundo trimestre de 2%, um numero robusto. Este resultado deve ser debitado à expansão dos gastos do governo e da ativação do consumo. A inflação continua contida e o Federal Reserve baixou os juros para ativar ainda mais a economia, mas os gastos do governo fizeram o déficit publico saltar para mais de U$ 1 trilhão o que já esta dando argumentos para pessimistas, que estão prevendo dificuldades logo ali na frente. A China esta fazendo das tripas o coração para incentivar o consumo, promover o mercado interno, uma vez que a guerra comercial reduziu as exportações. O país que já cresceu a 12% ao ano agora se contenta com 6%. Na Europa a Alemanha continua no caminho da recessão o que também deve acontecer na Itália. A Inglaterra mergulhada numa grande crise politica ainda discute se vai sair da União Européia. O Brexit virou uma verdadeira novela e todos dizem que a crise é eminente. Os últimos dados da OCDE demonstram que a indústria mundial esta em recessão  e projeta um PIB global inferior a 3% para este ano, o que é muito pouco. No nosso continente a confusão continua, ficando maior com as peripécias no governo do Perú onde ninguém sabe que é que manda e nem onde vai chegar esta crise. A Venezuela continua na mesma com um ditador que faz todo o possível para empobrecer e afugentar o seu povo. Agora é o Equador que enfrenta rebelião social. Na vizinha Argentina a expectativa das eleições presidenciais convive com altas taxas de desemprego e inflação galopante, desestruturando o mercado. A confusão é grande e sem expectativa de acabar no curto prazo.

Durma-se com um barulho destes!

É neste mar revolto e obscuro que a economia brasileira precisa navegar. Os números conhecidos e os projetados indicam que vem aí mais um ano de estagnação, que já é o terceiro. Relembrando, na metade de 2014, 2015 e 2016 aconteceu a recessão, números negativos da economia  e nos anos 2017, 2018 e 2019 resultados em torno de 1% o que caracteriza uma estagnação. Considerando que isto já é passado os holofotes se voltam para o inicio da próxima década porque esta, já é perdida. Como será o 2020? Levando em consideração o mau momento da economia internacional e as baixas perspectivas de modificações de cenários no curto prazo, é possível prever poucas facilidades, favorecimentos ou vantagens por parte do comercio internacional. No âmbito interno o dia a dia convive com a espera da aprovação das reformas que deve iniciar pela da previdência que deverá ser acompanhada pela tributária e também a administrativa. Este compasso de espera emperra projetos e investimentos. Enquanto isto o governo usa as armas disponíveis liberando o que pode de recursos para incentivar o consumo, mas isto será insuficiente para retirar a economia deste marasmo. No ano que vem a musica será quase a mesma, talvez num ritmo um pouco mais depressa, mas sem agito.  É bom ir se acostumando navegar neste tipo de mar porque, com certeza, aguas mais calmas ainda estão fora do horizonte.

Indústria no ritmo de dez anos atrás.

Os últimos dados do IBGE apontam que a indústria brasileira acresceu 0,8% em agosto comparado com julho, interrompendo três meses de queda. Parece um numero positivo mas analisando a fundo é possível perceber que isto ocorreu apenas em alguns setores como minério de ferro, petróleo e gás. Claro que foi positivo, mas no ano o setor ainda apresenta queda de -1,7% e nos últimos 12 meses os números também são negativos. Em termos de produção o setor opera mais de 17% abaixo do pico verificado em maio de 2011, significando um ritmo em que se encontravam dez anos atrás. São dados importantes que permitem conhecer a realidade do momento e principalmente projetar futuros. O setor industrial é o motor da economia e seus movimentos são mais morosos que outros. Um projeto industrial desde o seu nascedouro até a etapa produtiva leva meses e até anos e a recuperação de uma produção estagnada ou em queda necessita de um bom tempo para voltar produzir em níveis satisfatórios. Hoje o parque fabril brasileiro opera com 65% de sua capacidade e esta ociosidade impede novos investimentos. São números e projeções que alimentam os novos cenários que tomam formas nada agradáveis. A realidade é cruel e somente com passe de mágica pode ser alterada. Será?

Pense.

Se você não tem coragem não adianta ter vontade.

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Painel 578 – Economista Harri Gervásio – 31-05-2019

O tempo vai passando…
O tempo foi passando e os analistas econômicos aumentaram as manifestações sobre a precária situação da economia que afunda dia após dia. Na verdade existia uma esperança de que após o período da recessão pudesse retornar o período de crescimento. O inicio seria com um novo governo, novos ares, outras pessoas no poder, equipes diferentes com novas ideias, tudo isto gerando uma montanha de esperanças. Veio às eleições, o poder foi assumido e o otimismo foi aos poucos sepultado. Agora ressurge uma nova onda de boas expectativas no futuro com apostas na reforma da previdência. Existia uma previsão de que este imbróglio seria resolvido no primeiro semestre, mas o tempo foi passando, discussões mil, legislativo com pouca vontade de votar e o segundo semestre esta batendo na porta. As gavetas continuam repletas de novos projetos e antigos que aguardam ventos favoráveis. É bom que se diga que estes bons ventos estão sendo aguardados a muitos anos e pelo andar da carroça é bom sentar porque de pé ninguém aguenta. Hoje a sensação é de que os péssimos resultados de 2019 já estão influindo negativamente nas previsões para 2020 e 2021. Até quando?
Década perdida
Agora já se fala com mais intensidade na possibilidade de que a economia brasileira tenha mais uma década perdida. Segundo alguns analistas, com base nos últimos dados verificados, o Produto Interno Bruto Brasileiro, apresentaram entre os anos 2011e 2020 resultados insignificantes podendo esta ser classificada como uma década perdida. A LCA Consultores diz que a renda per capita neste período terá uma queda de 0,5%. Segundo eles o PIB deverá ter um crescimento médio de 1% no período, mas a população também cresce semelhante a 1% o que demonstra que a população brasileira ficou mais pobre. Importante neste estudo é que foi demonstrado que as maiores perdas foram para a parcela mais vulnerável da população. A Fundação Getúlio Vargas, em estudo recentemente divulgado, diz que desde 2012, os 40% mais pobres perderem cerca de 15% da renda do trabalho. Considerando apenas de 2015 até hoje a perda foi de mais de 22%, aumentando consideravelmente a desigualdade de renda. O técnico salienta “o Brasil esta perto de concluir sua pior década em termos econômicos em mais de um século. Para que isto mude o país precisaria crescer mais do que 5% neste ano e no próximo”. Também a BTG Pactual analisa este aspecto afirmando que a década perdida começou a ser desenhada entre 2007 e 2010 com politicas intervencionistas de estimulo ao consumo. Estas medidas foram necessárias num primeiro momento, mas deveriam ter acabado em 2010. Na verdade o momento de hoje é fruto de politicas econômicas mal sucedidas, implementadas a mais de dez anos. A ideia da década perdida começa a pegar força entre os a analistas econômicos.
O que fazer?
Muitos estão perguntando o que fazer para reverter este quadro? Alguém deve ter receitas milagrosas ou truques de mágica que de uma hora para outra venham eliminar a doença da economia brasileira. E o pior que tem gente que acredita que isto pode ser feito simplesmente com um canetaço. Estão enganados! As dificuldades na conjuntura econômica brasileira, da mesma maneira que são consequência de erros e omissões de um longo período, somente poderão ser revertidas, com ações corretas e durante outros tantos anos. Nada será para amanhã. Mas é bom expor algo que deve ser feito para devolver vitalidade para a economia. O nó somente será desatado se houver investimento. Isto é uma verdade por demais conhecida, mas a dificuldade é identificar o quando estes recursos podem chegar. No lado público o governo esta falido, endividado, sem condições de arcar com os gastos atuais, portanto deste mato vai ser difícil sair coelho. Sobra somente o setor privado! Os daqui estão com agua no pescoço, com grande ociosidade no setor de produção, aguardando e rogando por melhorias no consumo. Investir agora, nem pensar, pois o futuro é incerto. Continuam pendurados apenas na esperança. Os lá de fora estão com os olhos arregalados, na espreita de como o governo brasileiro vai sair desta situação. Para que eles tragam a suas verdinhas para cá, além dos bons rendimentos, devem ter certeza de que o Brasil vai voltar a crescer. Portanto esta confiança deve demorar bem mais do que o curto prazo para acontecer. Da pra ver que vai ser difícil conseguir recursos para investimentos tanto daqui como lá de fora. Claro que alguma coisa vai aparecer, mas incapaz de alterar o cenário de penúria no curto prazo. A pergunta é de onde o governo vai tirar dinheiro para investir e como motivar o capital externo a vir para o Brasil? Perguntar é fácil!
Pense
As pessoas não mudam apenas nunca foram o que você pensou.

Painel 574 – Economista Harri Gervásio – 24-05-2019

Orçamento.

Neste momento é importante que determinadas informações cheguem até os leitores tanto para entender o significado e funcionamento do orçamento como evitar que sejam colocadas palavras equivocadas por falta deste conhecimento. Orçamento é uma peça contábil que indica os movimentos financeiros que serão realizados em determinado período. Ele pode ser público, privado ou doméstico.

Orçamento Público

No setor publico, até bem pouco tempo, era apenas para cumprir uma determinação legal. Normalmente os governos relacionavam o que e onde queriam gastar e depois dimensionavam as receitas que viessem a cobrir estes gastos. Uma bela obra de ficção cientifica! Neste caso as receitas eram sempre superdimensionadas e depois com o correr do tempo às coisas iam sendo acertadas. Com certeza ainda hoje, numa grande maioria, os procedimentos continuam a serem feitos de maneira empírica. A falta de pessoal especializado, principalmente nos municípios, incentiva esta prática. O correto seria uma analise criteriosa, estabelecendo a receita dentro de uma realidade futura e depois os gastos seriam arranjados dentro destas entradas. Como a aprovação é do poder legislativo, normalmente o executivo, para facilitar a tramitação, procura beneficiar a todos os setores, mesmo sabendo que alguns fogem a realidade. Deixa de ser uma peça contábil e passa a ser um instrumento politico. Além do orçamento do ano seguinte os governos são obrigados a elaborar o plurianual que abrange os próximos três anos e seguir determinados parâmetros da Lei de Diretrizes Orçamentarias. Dizem que o orçamento público surgiu na Inglaterra em 1215 e tinha como objetivo aumentar o controle do legislativo sobre os gastos do poder executivo.

Orçamento empresarial

No setor privado ele é mais bem considerado, pois além de ser uma ferramenta contábil, serve como instrumento para um planejamento da vida futura da empresa. É nele que devem ser programados os rumos e balizar as decisões. O dinamismo do dia a dia faz com que ele seja periodicamente revisto e ajustado. Sem orçamento é como viajar no escuro estando sujeito a todos os imprevistos sem saber as alternativas possíveis. É pensar antes!

Orçamento doméstico

Ainda são poucas as pessoas que tem o habito de programar as suas finanças, mas, nestes dias difíceis com uma economia estagnada e agitação politica onde o futuro é incerto o orçamento doméstico é recomendado. É uma maneira objetiva de olhar quanto vão ser os ganhos e principalmente como estes serão gastos. Neste momento um exemplo pode facilitar o entendimento do processo e principalmente analisar o que esta acontecendo no âmbito público. Imagine que você chega ao final do ano, junta tudo para fazer o imposto de renda e constata que ganhou x reais e se pergunta em que eu gastei?  É nesta hora que você parte para se organizar. Inicia programando o quanto vai ganhar. Vai ser mais ou menos o que ganhou? Como otimista aposta em um aumento de x%. Agora parte para distribuir estes ganhos mês a mês, considerando aspecto que você já conhece pelo ano que passou. Com o quadro de receitas devidamente montado é hora de colocar os gastos programados para cada mês, claro tudo dentro da expectativa da receita. Pronto você já esta com o seu orçamento, a sua programação financeira para o ano. E aí, vêm os primeiros meses, festas, escola, etc, faltou dinheiro num mês e você pegou do outro. É hora de concluir que o orçamento tem que ser modificado. Onde pode ser cortado? O lazer é a primeira. Tesoura nele!  Na alimentação aquele churas de domingo passa a ser um carreteiro e a cervejinha fica contada. Isto é corte! Empréstimo? Negativo, o seu comprometimento já esta alto. Esgotado os cortes, olha um pouco mais a frente e resolve suspender aquela viajem que esta planejada para setembro. Quem sabe os ares do segundo semestre serão bons, mas, é bom suspender até segunda ordem. Isto é contingenciamento. No momento esta sendo feito o possível com os cortes de gastos e a previsão da suspensão de despesas futuras, visando equilibrar além do presente as projeções futuras. E assim você vai caminhando mês a mês mexendo aqui e ali para chegar ao final do ano sem sustos e prejuízos.

E agora?

O orçamento público federal deste ano foi feito no ano passado com uma previsão de crescimento econômico em torno de 2,5%. Como até agora os números do PIB são negativos sobra apenas cortes no possível e contingenciamento em gastos futuros. Fica à discussão: quem deve perder mais? Tenha a certeza que todos vão pagar esta conta.

Pense

A lei da vida é simples: Quem não quis quando podia, não vai poder quando quiser.  

Painel 575 – Economista Harri Gervásio – 10-05-2019

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O motor esta parado
Todos sabem que a indústria é o motor de uma economia e quando ela esta em dificuldades todos os setores sofrem. Uns sentem os efeitos imediatos e outros demoram um pouco mais sentir o baque. Mesmo com boas expectativas e principalmente esperanças de que as coisas podem melhorar, os resultados conhecidos são preocupantes. Alguns acreditam que o momento é indevido para analises negativas e números pessimistas, mas a realidade fala mais alto e a omissão pode gerar tomada de decisões equivocadas. É quase uma obrigação dos formadores de opinião, que tem espaço na mídia, trazer e manter atualizado os dados e informações sobre o caminhar da economia. Tarefa muitas vezes indigesta, mas necessária. De um lado existe boa vontade dos empresários em acreditar que tudo pode mudar e uma nova fase de prosperidade vai acontecer, mas de outro a realidade os faz sentir o presente e repensar o futuro gerando uma grande apatia. Tudo fica em banho-maria, para depois, e é esta insegurança que resulta números preocupantes. Os últimos dados conhecidos revelam que a produção industrial brasileira caiu 1,3% no mês de março ante fevereiro e em relação a março do ano passado a queda foi de mais de 6%, ou seja, no ano passado o que já estava ruim hoje ficou pior. No trimestre a queda foi de 2,25 e em 12 meses o recuo foi de 0,4%. O que a indústria brasileira esta produzindo hoje esta no mesmo patamar de 2009, ou seja, recuamos 10 anos. O mais preocupante que esta queda é disseminada por todos os ramos. Quando a indústria vai mal os prejuízos são espalhados por todos os setores e aí os números gerais da economia percorrem caminhos negativos. É bom salientar que qualquer recuperação no setor industrial vai além do curto prazo, bem diferente de outros setores como o agrícola que podem inverter a curva em alguns meses. Com o motor parado o veiculo tem dificuldades para andar!
Atividade de serviço se deteriora
O setor de serviços demora um pouco mais para sentir os resultados negativos da indústria, mas agora já começam a apresentar números preocupantes. Passadas as festas de final de ano, carnaval e pascoa muitos daqueles empregos temporários foram dispensados causando um alvoroço nos numero de desempregados. Deve ser acrescentado de que os resultados financeiros destes eventos ficaram muito aquém do esperado, reduzindo lucros e enfraquecendo o otimismo. Segundo o Índice de Gerente de Compras, pela primeira vez nos últimos sete meses, ficou abaixo dos 50 pontos que indica contração, queda do setor. É mais um sinal claro do esfriamento da economia, reforçando os dados da indústria. Segundo dados da pesquisa IHS Markit o otimismo em relação à atividade de negócios nos próximos 12 meses chegou ao nível mais baixo dos últimos 10 meses. Sobra apostar nos números positivos do setor agrícola que mais uma vez pode salvar a pátria.
Mercado reduz crescimento
Pela decima semana consecutiva o mercado reduziu a expectativa de crescimento da economia brasileira. Segundo o Boletim Focus do BC, os economistas entrevistados apostam em 2019 num PIB de apenas 1,49%. É bom lembrar que no inicio do ano a projeção era de mais de 2,5%. Segundo a matéria divulgada, este numero é devido a deterioração dos números da indústria e a baixa expectativa do setor. Para 2020 os economistas ainda apostam num crescimento de 2,5%. Alguns analistas projetam um cenário ainda mais negativo, indicando um crescimento da economia em 2019, inferior ou semelhante a 2018, ou seja, em torno de 1%. Em relação à inflação o cenário ficou um pouco pior com projeção de IPCA de 4,04% para este ano. Selic fechando o ano em 6,5% e dólar estável a R$ 3,75. Hoje já existe receio de que as projeções pessimistas dos números da economia para 2019 já estejam contaminando os cenários de 2020. A verdade é que este semestre já está posto, nada vai acontecer de diferente, ficando a expectativa que tudo venha acontecer após julho sendo provável que inexista tempo para mudar cenários hoje traçados. Infelizmente esta é a leitura possível tendo em vista a realidade presente e a possibilidade de ações futuras. Recuperar uma economia vai muito além de promessas, propostas e discursos. Mesmo com ações efetivas os resultados são de médio e longo prazo. Este osso vai continuar sendo ruído!

Pense
A pior ambição do ser humano é desejar colher frutos daquilo que nunca plantou.

Painel 573 – Economista Harri Gervásio – 26-04-2019

Ano perdido
Estamos distante do final do ano, mas as atenções já começam a se voltar para 2020. Os analistas em virtude do cenário presente, com números decepcionantes, estão prevendo mais um ano perdido. É bom lembrar que nos primeiros dias de janeiro era esperado um crescimento do PIB de 2,60%, mas aí as chuvas e trovoadas aconteceram e persistiram e agora já se fala em 1,71% sendo esta a oitava queda consecutiva no índice. Grande maioria avisa que o Brasil, se assim continuar, caminha para registrar mais um ano perdido, com um crescimento anual em torno de 1% semelhante a 2017 e 2018. Três anos com a economia crescendo em torno de 1% é frustrante e medíocre, cheirando a estagnação. Hoje com a incerteza politica, o será que sai das reformas e os números frustrantes já conhecidos, trazem um ambiente totalmente desfavorável ao investimento. Quem tem ânimo para investir? O resultado é a fraqueza no emprego que insiste em permanecer sem reação, jogando um grande grupo para a informalidade. Sem a percepção clara do futuro e o medo de perder o emprego, a restrição no consumo é uma realidade, empacando a economia. Neste quadro a indústria patina, com altos números de ociosidade e com poucas perspectivas de aumento da produção o que deixa a renda estabilizada e em alguns casos em queda. Neste quadro deve ser incluída a frustação com o novo governo, onde era esperada uma retomada do crescimento econômico. Claro que nesta expectativa foi desconsiderado que após uma estagnação são necessários bem mais que cem dias para mudanças de rumos. O otimismo foi rapidamente revertido. Pelo que se vê o semestre já está comprometido e dependendo do próximo, os números podem permanecer no patamar pessimista. Será este mais um ano perdido? Os indicativos são favoráveis para este resultado.

Menos bondades
Uma das maneiras do governo ajudar a iniciativa privada e até determinados setores da comunidade é através de subsídios. São empréstimos com juros menores como aqueles para agricultura e estudantes. Outra forma é o desconto no pagamento de impostos na tentativa de incentivo a determinado setor, como vem sendo feito para os projetos na área cultural. Por um lado é uma ajuda importante no fortalecimento de atividades ou setores, mas por outro significa abrir mão de arrecadação. Imagine que um país atolado com uma enorme déficit público deve ter uma certo cuidado no volume destes benefícios porque o beija-flor pode virar morcego. No ano passado o governo federal abriu mão de mais R$ 320 bilhões em bondades, valor significativo mesmo que tenha tido uma queda de mais de 13% sobre o ano anterior. Neste mesmo ano o déficit público ficou em R$ 120 bilhões. No período de 2003 a 2015 os subsídios saltaram de 3% para 7% do PIB contribuindo significativamente para a deterioração das contas publicas. E um dos pontos que será atacado fortemente pelo novo governo, analisando e selecionando quais e quanto continuarão recebendo estas ajudas e principalmente usando uma afiada tesoura para diminuir os valores. Vários cortes serão efetivados e muitos valores diminuídos. São novos tempos que levam os governos a tentar, de todas as maneiras, o equilíbrio das contas públicas. O tempo das vacas gordas já acabou. O choro vai ser grande!

Nada fácil
O momento é extremamente difícil para os analistas econômicos em virtude de horizontes obscuros. La fora tem muita coisa fora do lugar, ou pelo menos desajustada. Os últimos dados conhecidos dizem que o crescimento mundial vai ficar aquém do projetado, sinal de desaceleração. O carro chefe, EUA, continua enrascado com os desacertos do seu presidente com a mídia e a quebra de braço com o seu Banco Central. O Feed aponta tendência de aumento de juros e o Presidente faz pressão para que isto seja desconsiderado. A economia dos EUA trouxe números pouco animadores no primeiro trimestre colocando em banho-maria o crescimento do ano. Será que vai? Na Europa o assunto continua sendo o Brexit. A Grã Bretanha vai sair da UE? Quando? Este compasso de espera coloca os parceiros de barba de molho. De lambuja ainda tem a guerra particular entre Estados Unidos e China que ninguém sabe até onde irá. Por aqui a nuvem negra que vem da Argentina esta deixando setores importantes que mantem comércio com aquele país, de orelha em pé. A crise no vizinho país é grave, com inflação perto dos 50% e agora o congelamento de preços, vai afetar toda a conjuntura sem resolver o problema. O cenário é desfavorável lá fora e por aqui os ventos da incerteza continuam fortes. A discussão das reformas tende a continuar e ninguém sabe com exatidão até quando. Com este quadro os investimentos continuam na gaveta ou repensados. A recuperação econômica fica na esperança. Tempos difíceis!

Pense
O dia mais desperdiçado do mundo é aquele que não sorrimos.

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